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SinAIs do agora.

Recortes do que está acontecendo em IA e negócios. Opinião no calor do momento: leitura do presente, não tese. Clique pra abrir cada um.

A IA Criou 63.000 Empregos Sem Querer

15 de maio de 2026

Agente de viagens, uma profissão que foi condenado ao esquecimento em 2020.

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Agente de viagens, uma profissão que foi condenado ao esquecimento em 2020.

O Tripadvisor ia matar. Depois o Booking.com. Depois o Airbnb. Depois a IA. Mas… toda vez que a morte era anunciada, ela sobreviveu.

No ano passado, os EUA registrou 63.000 novos agentes de viagens, uma profissão que soma agora 310.000 agentes no total. O gasto com esses profissionais chegou a US$ 134 bilhões e a profissão ranqueia nos top 25 empregos de crescimento mais rápido pelo terceiro ano consecutivo.

Parece nostalgia né?!? Mas na verdade isso é um quadro de reversão estrutural. Quer entender como isso acontece? Segue lendo.

Primeira etapa foi a democratização da informação de viagem através da internet, o que não é novo. Mais recentemente, especificamente ano passado, a Itália bateu recorde de turistas. Em Positano por exemplo, existem 396 restaurantes dos quais setenta e sete estão no guia Michelin. A IA consegue ranquear todos os 77 por preço, avaliação e distância do hotel.

Aí fica a pergunta: quais os três que valem a sua última noite na Itália? E isso a IA não consegue responder.

Aqui nos deparamos com o sintoma da paralisia de escolha, e isso tem consequências econômicas reais. Pois quando o acesso ao processamento massivo de informação se torna gratuito, o gargalo migra para saber o que escolher. O agente de viagens resolve exatamente isso.

E pra fomentar ainda mais, o agente “não te cobra nada”. Você ganha curadoria personalizada, dicas para fugir das multidões, café da manhã incluso, crédito no spa e late checkout grátis, uma garrafa de prosecco no check-in… coisas que a IA não consegue fazer. E o hotel é que paga a comissão deles.

Tem uma cena em Gênio Indomável onde Robin Williams fala pro Matt Damon: “Você consegue recitar todos os sonetos de Shakespeare, mas nunca olhou para uma mulher e foi verdadeiramente vulnerável.”

É exatamente esse o ponto. A IA consegue recitar todas as avaliações de Positano já escritas. Mas gosto não é a mesma coisa que ter estado lá.

É o efeito de segunda ordem que ninguém modela: automação não elimina a demanda por julgamento humano. Pelo contrário. Quando o acesso se torna gratuito, a seleção vira premium. Quando a informação se torna infinita, a curadoria se torna escassa.

O paradoxo do agente de viagens mostra o que acontece em qualquer setor onde julgamento sob incerteza é o produto de verdade.

Talvez as profissões mais expostas à IA não sejam aquelas que exigem conhecimento, mas as que exijam apenas isso.

Pois afinal de contas, LLM é apenas mais uma camada de abstração da computação, como todas as outras que já houveram. Do código de máquina binário, passando pelo assembly, hexadecimal, C, Bytecode, Python e hoje LLM.

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O Algoritmo de Deus para as Fake News

28 de abril de 2026

A instituição mais antiga do planeta agora tem mais regras de IA do que qualquer país ou empresa de tecnologia. Deixa isso processar.

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A instituição mais antiga do planeta agora tem mais regras de IA do que qualquer país ou empresa de tecnologia. Deixa isso processar.

Enquanto a UE debate. Enquanto os EUA adiam. Enquanto a OpenAI reescreve seu estatuto para extrair lucro. O Vaticano publicou diretrizes banindo IA manipuladora, colocando nós, humanos, em primeiro lugar, e fechando parceria com empresas de cibersegurança.

Por quê? Porque o Papa identificou algo estrutural que todo mundo ignorou.

Credibilidade na era do conteúdo sintético exige um perfil bem específico: nenhum exército, nenhum interesse comercial, nenhum acionista esperando retorno. Poucas instituições de peso no mundo se qualificam em algum desses pontos. O Vaticano se encaixou nos três.

E isso revela uma lacuna que ninguém está discutindo. A conversa sobre IA gira em torno de modelos, poder computacional e regulação. Mas tem uma peça que ainda não existe: um motor de verdade. Um sistema capaz de verificar se qualquer coisa, uma foto, uma fala, um vídeo, é autêntica ou fabricada. Ninguém construiu isso ainda. E provavelmente não vai vir de uma entidade com fins lucrativos. No momento em que aparece um motivo financeiro, a neutralidade vai junto. (O pivô da OpenAI para o modelo for-profit já fechou essa porta.)

A Wikipedia foi construída por voluntários e continua gratuita porque nenhum acionista está esperando retorno. A próxima versão da Wikipedia pode ser uma camada de autenticidade para a realidade.

O Vaticano acabou de se posicionar como a instituição mais estruturalmente qualificada para construir isso.

A pergunta é se a internet vai aceitar um certificado de verdade assinado pelo Papa.

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Quando a Lucratividade é a Melhor Desculpa

17 de abril de 2026

A americana QVC (similar à Polishop) faliu. Mas não foi o TikTok Shop que matou a QVC.

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A americana QVC (similar à Polishop) faliu. Mas não foi o TikTok Shop que matou a QVC.

Em 1986, a QVC literalmente inventou o “live commerce”. O primeiro item a ser vendido ao vivo na TV: um rádio de chuveiro por $11,49. Por décadas, a QVC dominou. Na pandemia, faturou $14 bilhões em um único ano. Em 2021, a Forbes publicou um artigo dizendo que a Amazon devia aprender com a QVC.

A Amazon leu o artigo. E aprendeu. O TikTok também. Hoje, o TikTok Shop fatura $16 bilhões por ano em live commerce. O dobro da QVC, que viu suas ações despencarem 99,9% desde 2022. Hoje eles pedem falência.

Mas aqui está o detalhe que ninguém fala: a QVC sabia. Sabia há anos que a TV a cabo estava morrendo. Sabia que o futuro era digital, personalizado e algorítmico. E mesmo assim, não mudou. Por quê? Porque a TV a cabo ainda era o canal mais lucrativo da empresa.

E é aí que morava o risco. Não foi falta de visão nem preguiça. Foi a estrutura de incentivos.

Em 2007, a Netflix percebeu que o streaming era o futuro. Mas em vez de “transformar” gradualmente, fizeram uma coisa radical: mudaram o time de DVD para um prédio separado, fisicamente do outro lado da rua. A lógica era simples: eles simplesmente não queriam que o pensamento do negócio antigo contaminasse o negócio novo, canibalizando seu principal canal (a entrega de DVDs), mas construindo um dos maiores impérios de entretenimento do mundo.

A QVC nunca fez isso.

O problema não é estratégico. É arquitetônico. O canal mais lucrativo normalmente tem mais poder político interno, mais budget e mais defensores em toda reunião. Toda vez que a proposta de migrar pro digital aparecia, o pessoal do cabo tinha os números melhores para mostrar. Até que o TikTok não precisou mais de permissão para ganhar.

O dilema do inovador não é falta de coragem. É que o passado ainda paga as contas enquanto o futuro é construído do lado de fora. E pra escapar, você precisa de separação: física, jurídica e orçamentária. Somente assim o negócio do futuro não disputa reunião com o negócio do presente.

Porque deixar os dois na mesma sala é uma sentença de morte em câmera lenta.

Qual o seu “canal de TV a cabo”? O que você sabe que está morrendo, mas ainda é lucrativo demais para largar?

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O Sapato Que Virou GPU

16 de abril de 2026

Allbirds (BIRD) é uma marca americana de tênis que viu seu valor despencar 99%. Então, vendeu seus designs por migalhas e mudou o nome para New Bird AI. Resultado: a ação subiu 800% ontem.

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Allbirds (BIRD) é uma marca americana de tênis que viu seu valor despencar 99%. Então, vendeu seus designs por migalhas e mudou o nome para New Bird AI. Resultado: a ação subiu 800% ontem.

Mas esse é um script antigo. Conhece a Long Island Blockchain?

Então, em 2017, uma empresa de chá gelado de Nova York acordou um dia e resolveu que o futuro era blockchain. Mudou o nome para Long Island Blockchain e a ação disparou 380% no dia do anúncio. Um ano depois: cancelada da bolsa. Bye bye Ice Tea… Adeus sonho de crypto.

Agora, oito anos depois, a Allbirds pegou o mesmo script e resolveu fazer um remake com uma palavra diferente na moda. Só trocar “blockchain” por “IA”. Mesma piada, figurino novo!

Segue o manual de três passos que ainda funciona em 2026:

  1. Abandone seu negócio principal (adeus tênis de lã)
  2. Mude seu nome para o que esteja bombando no X
  3. Cole um “press release” cheio de “buzzwords” e reza pra FOMO fazer o resto

Mas pera aí! Não tá faltando alguma coisa nesse manual? Ah, é… construir alguma coisa, contratar gente que entende do assunto e resolver um problema de verdade. Detalhes.

A Allbirds tem $50 milhões comprometidos para entrar num mercado que engole dezenas de bilhões no café da manhã. Numa arena onde os players do outro lado são “hyperscalers” que passaram anos construindo datacenters do tamanho de cidades. Enquanto a Allbirds aprendia a fazer seu pé não suar dentro de um sapato de lã reciclável.

Mesmo assim o “press release” foi épico: “Uma empresa totalmente integrada de GPU como serviço e provedora de soluções de nuvem nativa de IA.” Isso não é sátira não. É citação literal.

Mas sabe quando a coisa fica interessante? Quando vemos que, na real, essa história sobre a Allbirds fala mesmo é sobre o estado atual da alocação de capital: um lugar onde hoje a narrativa bate o fundamento de lavada. Onde uma empresa sem nenhuma competência em IA consegue “alugar” a identidade do momento por 24 horas e criar mais valor de mercado do que a maioria das startups levanta numa Série B inteira.

E o mercado infelizmente recompensa esse tipo de palhaçadas. Já fez com blockchain. Tá repetindo agora com IA e aplaudindo de pé.

Mas a pergunta que não sai da minha cabeça é: qual o tamanho da conta desse circo quando a música parar?

Porque é tão óbvio (e o histórico mostra isso!) que quando a empresa tenta surfar uma narrativa sem uma substância real, sem prancha, sem saber nadar e ainda por cima com sapato ecológico… o caldo é épico e vergonhoso. Com sorte dá pra chegar vivo na praia com a sunga no tornozelo, o orgulho destruído e o cinquentão guardado no forro agora rasgado e cheio de areia.

E os insiders que venderam suas ações da Allbirds ontem? Esses sabiam exatamente que estavam vendendo sapato com fantasia de GPU.

Meus amigos, não confunda fantasia com pivô. Porque a conta chega e vem sem aviso prévio.

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Your Phone Bill Is Going to Space!

16 de abril de 2026

For 40 years, three companies rented you the sky.

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For 40 years, three companies rented you the sky.

Verizon. AT&T. T-Mobile. Physical towers on land, charging $100/month to use their frequencies. Invisible oligopoly, rock-solid margins, no viable alternative.

That era just ended.

Amazon acquired GlobalStar, a 24-satellite constellation, for $11.6B. Then announced a simultaneous deal with Apple to connect every iPhone directly to those satellites. Voice. Data. Messaging. By 2028.

But here’s what really happened.

This isn’t a space story. It’s a margin story.

SpaceX’s Starlink generates $10B/year in revenue at a 65% profit margin. That’s twice the fat of any traditional wireless carrier. In a world with no competition, Elon could charge whatever he wanted. And he did.

A 65% margin isn’t a moat. It’s an invitation.

Amazon doesn’t need to win space. It just needs to undercut Starlink enough to compress that margin and still print money doing it. That’s the same playbook they ran on cloud infrastructure, logistics, and e-commerce fulfillment. Find the fat. Enter. Commoditize.

The pattern is older than Amazon.

When a single player extracts too much from a critical piece of infrastructure, capital finds a way in. Not because of altruism. Because of arithmetic.

Cell towers: constrained by geography, spectrum auctions, regulation. Satellites in orbit: no towers to build, no permits, global coverage, and the only real cost is launch.

The future of infrastructure is invisible. It’s up in space.

What we’re watching isn’t Amazon entering the satellite business. It’s the 40-year telco model getting disrupted from orbit, by the same company that disrupted retail, cloud, and logistics from the ground.

The question isn’t whether Amazon beats SpaceX.

It’s what gets commoditized next when the infrastructure disappears into the atmosphere.

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